De tudo isto, retiro o Silêncio, pelo qual me grito em metamorfoses e em cada lugar vazio tudo tem o nome da Noite que apazigua e perdoa...e me traz em cântico sufocado todas as memórias do querer ser sem ter lugar, nem corpo, nem Mundo...
Por isso, no Silêncio guardo tudo e em Silêncio me desfaço para que dentro de ti se construa a voz que em mim se cala... E na tua pele se leiam as letras que foram desordenadas...para que assim se crie o entendimento que eu persigo e hoje renego com qualquer força que exista nos meus ossos... Que nesse entendimento que envio a partir de um lugar muito escondido, consigas entender aquilo que tentei entender em mim: a memória arrebatadora da inexistência. Aceito-a combativamente e rio, rio... E grito cá para dentro a tristeza com que descobri de que lugar me vês, da distância. E sonho toda a aproximação, que abraço enquanto me é permitido e sou Saturno, sou coruja que voa na tua frente e da qual fica apenas um rasto de passagem. Nada se perde...e sou a mesma Lua prostituída que fui tantas outras vezes e assumo em mim o pó de todas as estrelas que me mataram incessantemente na ilusão que se entranha mesmo ao pé do precipício.
Mas o Silêncio vem sempre acompanhado de Saudade e talvez seja o Egoísmo que permita ainda alguma sanidade. Do teu epicentro fico com a memória do corpo e do quentinho de que me falavas (...) e quem sabe se os teus olhos encontram outra visão, antes que os meus se fechem... Com toda a gratidão e com a aceitação do que te for possível, porque sempre achei injustiça nas gaiolas, apesar de sempre ter amado os pássaros...
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