Esta depressão, este sentimento melancólico, este estado corrosivo, mortífero. Este acto blasfémico, incompreensível. O acto de ver o que é errado, na paisagem mais bela. Na noite, o meu lar é apenas uma cabana de pedra medieval, onde belos vitrais mancham as paredes de um luar, tão belo, tão utópico. O meu lar, é constituído por uma enorme estante, repleta de livros – tragédias e romances, passando pelas mais belas poesias -, um perfeito piano no meio, e uma cama tão antiquíssima como o tempo. Este é o meu lar. No meu mundo, o luar é eterno, o barulho produzido pelos corvos, é uma banda sonora constante; o brilho do luar nas suas penas cor de breu é bastante perfeito, com uma beleza indescritível. Agora, já não seria mais como em tempos fora, já não existiria mais aquelas bonecas de porcelana, a quem tinha sido roubado o olhar, a quem teria sido condenada a eterna beleza, a divina perfeição. Agora, já não serei mais o príncipe daquele Reino, que outrora fora meu, denominado por Silencia. Sentado numa pequena pedra, fria e dura, tentando formar versos, que iram dar estrofes e mais tarde poemas, ou lindos contos através de linhas manchadas de lágrimas, eu vejo esta depressão ganhar novamente lugar nesta vida. Uma vida, nem sempre feliz, nem sempre triste. Agora, esta depressão eterna, dá-me prazer. O prazer da prosa, da poesia e das notas musicais perdidas pelo tempo. Agora, eu sei, a Depressão não morre, apenas aguarda ansiosamente pela nova oportunidade de um ataque cada vez mais forte. Agora, o Príncipe, era apenas o Anjo Sangrento. Mais um, a quem as almas de Deus julgaram, à tristeza eterna.
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