Carta.
Não precisava de mais nada; só precisava do 'nós' que existia, do amor, amizade, cumplicidade, felicidade, alegria, enfim, tudo era demasiado lindo e indescritível perto de ti. Olho para ti, sem tu reparares, estas triste e andas sem vontade, serei eu o culpado? Não sei, que me dizes? Cada vez que te toco, receoso, sinto-me feliz, incrivelmente vivo e depois, quando viras costas, penso no que sentis-te tu, o mesmo que eu ou será que foi outra emoção? As vezes choro, choro por ti, é inevitável; eras, e até certo ponto continuas a ser, a minha vida e ainda não sei viver sem ti a olhar entre cabeças, para não te aperceberes. Sonho tanto no dia em que fomos felizes; ainda somos, assim? Cada gesto, cada preocupação, cada abraço, por mais poucos e simples que sejam, valem mais do que quase todos os que dou diariamente. É incrível como ainda tenho medo de te perder, apesar de já te ter perdido!, e de acordar sem ti; é uma reacção de defesa, não quero acreditar. Cheguei ao ponto em que minto a mim próprio só para não chorar a todas as horas, para não ter que dizer ou pensar o que não quero. Magoo-te e acho que não é pouco. Porque não choras? O teu olhar, está vazio, até demais, e pede por uma lágrima, precisas de rebentar. Por favor, peço-te, não guardes tudo para ti, desabafa, mesmo que não seja comigo. Sinto-me um tremendo idiota, se é que não o sou, por pensar que ainda somos o que fomos. Sorrimos tanto, acreditamos num sempre (mesmo sabendo que esse não existia) e fizemos tudo o que quisemos e podemos. Tudo começou a desabar, tanto por mim como por ti, e perdemos a noção do que estávamos a fazer até alguém se aperceber que era o fim; o nosso tão indesejado, mas julgo que necessário, fim. Queria desaparecer o mais depressa possível. Foi uma sensação tão má não ter a minha razão de existir comigo; agora já sei o que dizer quando me perguntarem o que faria sem a minha razão de existir. Limito-me a arrastar-me pelos dias, entrar e sair de salas, a olhar para o nada, a sorrir só porque parece mal não sorrir. Estou de rastos mas não, não vou esquecer cada momento nosso, são eles que me mantêm vivo, ou cada palavra. Tudo muda, tudo acaba mas até que ponto é que se leva isso? Tu, não sei mas eu ainda não me habituei a não estar todos os dias contigo, a sorrir para ti, a viver para ti, e eu amo-te, eu sinto a tua falta, eu desejo que tudo volte, eu sonho que tudo volte. Gostava de sorrir para ti mais uma vez e que tu correspondesses, como antes correspondias, com sentimento, verdadeiro e estimável. Não vivo sem ti e sim, por alguma pequena ou grande coisa, desculpa; desculpa quando te fiz chorar e sofrer por mim, não era o meu objectivo, não era a minha finalidade. Já sabes que estarei sempre aqui para ti, como sempre te prometi. Irmão.
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