27 de janeiro de 2011

Quando Te Fores Embora.

Ainda te sinto junto a mim, mas no entanto, choro por um dia ter sido obrigado a ver-te partir...
Sinto teu corpo junto ao meu...
Abraço-te com medo de estar a viver de uma ilusão...
Ficaria preso a ti até a morte me tocar, tal como eu toco o teu rosto enquanto adormeces...
Sorrio vendo-te respirar mas sangro constantemente ao imaginar que um dia partirás no mesmo sonho que te trouxe até mim...
Os meus sentimentos são puros como a neve que agora cai ao deixar a solidão congelar as minhas lágrimas como estrelas candentes...
O meu coração renega a solidão dizendo-me que estás a meu lado mas as lágrimas já te vêm partir...
Nunca imaginei ser capaz de sentir o que sinto,
é como morrer constantemente a cada sorriso que não sorris e a cada palavra que não dizes...
Tento recordar o primeiro momento em que te senti parte de mim, mas a sombra encobre o meu imaginário não deixando que ame alguém para alem da escuridão...
Em tempos essa escuridão amava-me e preenchia-me,
não me fazia sorrir mas quando chorava a sombra criava lindas ilusões e então ria de uma felicidade fictícia que apesar de nula era tudo o que tinha...
Dessa mesma escuridão surgiu a tua voz numa noite maldita onde me entreguei a sentimentos que desconhecia e que ainda hoje desconheço pois não sei como os sentir,
não sei como os viver...
Eles magoam-me e fazem-me sorrir,
fazem-me viver pois acredito que eles são a origem da tua existência e, talvez da minha...
A distancia impede-me de te tocar a cada desejo que tenho de o fazer,
minto a mim mesmo dizendo que nunca partirás mas as lágrimas antecipam o tempo e já te vejo longe...
Tão longe de mim mas tão perto da minha imaginação...
No meu imaginário és presença constante de sonhos e fantasias,
és a inspiração de mundos e mesmo em pesadelos a tua imagem aparece como um espelho de mim mesmo...
Nunca acreditei na felicidade pois apenas a sombra me abraça constantemente,
é nessa sombra que eu te imagino ganhando forma,
quando ela me abraça e me abriga do mundo exterior és tu que eu sinto junto a mim...
Oiço tua respiração...
Oiço tua voz...
Oiço o teu coração bater junto ao meu...
E quando a sombra desvanece eu vejo-te partindo levando o que de melhor existe em mim...
Levarás os meus sentimentos e minha razão de existir...
Sei que nunca vieste mas já te vejo partir e isso mata-me lentamente até adormecer...
Caindo num sonho onde te encontras junto a mim enquanto que na realidade te encontras bem longe...
Sempre pensei vencer o tempo,
os meus sentimentos são reais e a minha vontade de vencer é esmagadora face ao eco no horizonte ao gritar o teu nome vezes sem conta...
Gritarei até os meus pulmões sucumbirem e a morte chegar silenciando a minha voz...
Recuso a realidade, pois a crueldade da vida  arranca-me as lágrimas directamente do coração...
O meu reflexo perde-se e o olhar esfria...
Mas a esperança que a tua voz surja das trevas que me consomem é maior,
eu acredito que da sombra viemos e é na sombra de um dia cinzento que eu te espero ver sorrir,
o mesmo sorriso que me acalma e me destrói constantemente...
Desejarei tocar-te e consumir a tua alma, mas sou fraco de mais para deixar a sombra e caminhar até à luz...
Sou um cobarde repleto de medos,
a rejeição não me abomina, mas sentir assusta-me...
A diferença encontra-se no que sou capaz de sentir e a cada lágrima que choro um paço dá-se na distancia que nos separa...
Sinto-te longe e perto,
longe de ti mas perto de mim...
Sei que ainda não vieste mas quando te fores embora levarás pedaços de mim e guardarei sempre o melhor de ti...
Guardarei os momentos e as memórias,
guardarei os sentimentos que despertavas em mim e mais que isso guardarei o que és para mim...
Quando te fores embora por favor eu imploro-te, leva o melhor de mim contigo...
Leva os meus sentimentos negros que te amam...
No dia em que fores embora levarás a minha sombra contigo...
No dia em que te fores embora, o meu tumulo irá erguer-se...

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