Uma triste canção de embalar adormece-me eternamente...
Sinto-me criança de novo e tantas memórias voltam dos túmulos como fragmentos do presente...
As tonalidades sépia recriam dias de Outono onde o vento nos acaricia o rosto e o frio nos apaga o sorriso...
As tonalidades sépia recriam dias de Outono onde o vento nos acaricia o rosto e o frio nos apaga o sorriso...
Debaixo de uma velha árvore um menino de aparência frágil olhava as folhas caírem lentamente...
Parecia que temiam tocar o chão e o vento dançava com elas naquele funeral triste, mas belo... A melancolia da morte comovia e as lágrimas soltavam-se a cada folha que no ar dançava até a morte lhe tocar...
Parecia que temiam tocar o chão e o vento dançava com elas naquele funeral triste, mas belo... A melancolia da morte comovia e as lágrimas soltavam-se a cada folha que no ar dançava até a morte lhe tocar...
Os segundos davam lugar a dias onde a tristeza era comparada ao som de um violino que chorava a cada momento de solidão...
Dias e dias ele ali sentava-se ouvindo o silêncio chorar...
Ele comovia-se olhando as nuvens negras naquele céu perfeito...
Faziam com que ele chorasse e as lágrimas corriam por o seu rosto morto como a neve e fria como uma rocha tumular...
As suas vestes rendadas lembravam bonecas vitorianas de tons góticos e macabros...
O seu olhar era lindo,
perdido no nunca...
O seu sorriso era nulo e apenas as lágrimas possuíam vida ali...
O vento levantava as folhas num belo cortejar de morte,
o frio sentia-se nas veias sobre os pulsos envolvidos em arame farpado,
o desfalecer dava-se e o calor humano perdia-se a cada batimento que o coração rejeitava...
A canção de embalar surgia sempre que o sol se deitava e surgia da melancolia como se existe-se apenas para ele a ouvir...
A sua volta túmulos rodeavam-no,
antigas sepulturas decoravam aquele jardim mortuário...
O silêncio comovia e junto ao violino ouvia-se agora um velho piano que na triste canção acompanhava a morte no seu trajecto de solidão...
Ele olhava vendo a morte tocar a sua canção de embalar e chorava, pois a felicidade de morrer era superior ás lágrimas de dor...
O dia escurecia e belos cadáveres dançavam inanimados sobre os túmulos..
Vestidos longos de tons negros,
assim trajavam os meus homens, do meu mundo...
Eles dançavam para a morte enquanto um deles sorria para mim,
um sorriso que ainda hoje eu reconheço.
És a mais bela boneca do meu mundo, pois foste criada pelo meu imaginário e pelos meus sentimentos negros e és tu quem eu vejo a dançar no meu túmulo nunca deixando que mesmo depois de morto me senta só...
Eles dançam eternamente sobre os túmulos e entre tantas outras as mais belas criações foram criadas por mim...
O olhar apagou-se finalmente e o silêncio instala-se no meu coração artificial...
O tic-tac mecânico da minha fonte de vida acabou e dissipou-se na memória...
Uma memória sentimental onde os cadáveres ganham vida e onde eu a perco uma vez mais...

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