10 de julho de 2012

Durante muito tempo este blogue fez parte de mim. Ajudou-me a conseguir exprimir o que sentia e, por vezes, a sentir-me compreendido e não tão sozinho no mundo.
Acredito que tudo tem uma duração e a do blogue terminou. Foi bom enquanto durou.
Podem-me sempre encontrar no twitter e no tumblr, onde posto frequentemente.
Quem sabe, talvez um dia volte a este meu cantinho, ou crie outro, mas por agora não faz sentido.
Obrigado a todos! :)

3 de junho de 2012

Vazio e Dor.

Deveria ser uma hora da madrugada. Ele estava preocupado com isso, com o perigo da noite, com o trabalho no dia seguinte. Sentado naquele banco, no meio da praça perto da sua casa, ele apenas sentia frio.

Tudo passava pela sua cabeça em pequenas proporções, aqueles problemas diários presentes na vida de toda a gente. Mas ele foi até lá para mergulhar noutra dimensão — mesmo que dissesse o contrário para si mesmo. Era fácil tentar convencer-se a si próprio que se sentaria ali, olharia para o céu e esvaziaria a mente; mas não, ele faria exactamente o contrário. Lágrimas já escorriam pela sua face pálida e o coração já batia penoso. Ele conseguia encontrar significados para o que sentia em quase tudo. As nuvens eram sombras, a lua era seu coração; as folhas das árvores eram o seu espírito, o vento era a sua dor. Ele pensava nas pessoas que, de uma forma ou de outra, o atormentavam. Chegou a pensar em como ninguém estava longe de tormentos em nenhum momento na vida. Desde os primeiros choros sem que ninguém adivinhasse qual era o seu problema, os esforços para aprender algo novo, até às primeiras paixões adolescentes que também traziam sofrimento.

Era sempre uma fila interminável de pequenos e grandes tormentos e preocupações.
Distraído, ele viu uma mulher passar um pouco a frente e a acrescentou à sua lista de pensamentos. O que estaria ela a fazer ali? A reflectir de mais, também?
 Na verdade, não. Ela não pensava em muita coisa. Saíra de casa há algum tempo e começou a andar sem rumo. Ela, sim, estava apenas a esvaziar a sua mente, mas não por que o desejaria: o vazio presente no seu peito criava também um vazio na sua mente.
Ela sentia um vazio. Não era total; não estava morta por dentro. Sabia que não. Mas não estava bem. Tudo foi cortado por metade: a felicidade, os sonhos e as preocupações. Ela nem fome iria sentir mais. A comida perdeu o sabor. Tudo perdera um pouco do sabor.
Achava que estava a lidar bem com tudo, com o que a vida lhe fez. Afinal, desde que tudo acontecera, ela sabia, com toda certeza, que conseguiria seguir em frente. Sabia que nem era tão mau quanto parecia, na verdade. Talvez nem fosse mau, talvez fosse apenas uma mudança incómoda. Mas percebeu que não estava bem: sentir-se vazia não é sentir-se bem. É estar meio morta. Na sua mente apenas flui uma pergunta: “e se tivesse sido pior?”. Estaria realmente morta por dentro? Isso era inadmissível. Ela tinha muito pela frente, não poderia simplesmente... simplesmente morrer.
Mas era difícil ultrapassar. Ela nem sabia como o fazer. Talvez tivesse de chorar mais... Talvez tivesse que gritar, explodir, deixar tudo sair... Mas isso não acontecia. Talvez seja por este motivo que as pessoas gostam de músicas que as deixam tristes, para não se deixarem afundar.
Ela não se iria importar mais. Se estivesse totalmente vazia não se importaria. Não se importaria em ficar doente, mas sabia que isso seria uma estupidez da qual ela se arrependeria mais tarde. Ela queria ignorar todas as pessoas e não se preocupar em magoá-las, mas sabia que precisava delas.
Ainda caminhando sem rumo, ela passou por um homem sentado num banco.
 Os olhares dos dois cruzaram-se. Ela viu a dor nos olhos dele, a intensidade do que sentia. Ele viu o vazio nos olhos dela, a simplicidade.
E cada um desejou ter o que o outro tinha.

29 de maio de 2012

Paranóia.


"They're laughing at you, all of them. They think you look weird. They think you look awful, like shit. They're laughing at you because you're ugly. They pity you. They're glad they are nothing like you at all, you freak."

1 de maio de 2012

Fobia.


A escuridão amanhece, aos poucos.
Os raios de luz negativa trespassam os vidros quebrados, a sombra disfarça as paredes da dor que me desperta... Os meus olhos pintados de negro, lentamente tentam romper entre a luz, os gemidos ainda se ouvem num eco murmurante de agonia e desespero... Os lençóis ensanguentados mancham o branco puro de luz e o meu corpo nu e frio esmorece lentamente.
A humidade do ar torna-se irrespirável, a cada segundo a respiração torna-se vital, e a realidade altera-se: estou a morrer entre quatro paredes.
Este estado febril distorce a realidade, risos e gritos parecem surgir das paredes vazias: as vozes são diabólicas e sussurram palavras que não consigo decifrar e a loucura parece possuir-me até que o amanhecer não volte, e as trevas deixem de reinar.
A porta abre-se, e entre a sombra aparece uma réstia de luz...
Tento levantar-me, mas as forças abandonam-me e caio inanimado numa espécie de coma imaginário... Sinto frio, muito frio.
As vozes despertam-me; gritam, sussurram...
Tento desesperadamente ouvir a tua voz entre elas, mas tornam-se tão silenciosas e o ruído das máquinas humanas ouvem-se algures desta janela.
Aproximo-me e vejo o mundo que me torna doente mas as luzes artificias já não me magoam... Desorientado, deambulo entre as ruas vazias de expressão, onde sombras formadas por luzes artificiais ganham rostos humanos cuja expressão é a de alguém que sorri doentiamente. Entre essa multidão de almas perdidas, eu procuro desesperadamente o teu rosto e desespero pela tua voz.
As luzes apagam-se e encontro-me de novo entre estas quatro paredes, com a porta trancada... Talvez nunca tenha abandonado esta cela e a demência me tenha levado até essa linha sem fim.
Estou a perder o controlo da vida e o som da minha voz parece surgir como um grito silencioso que desespera por ajuda.
A lua parece ouvir o meu chamamento e surge no céu mais bela que nunca e as estrelas no céu, ardem como um fogo interior que me desperta os sentidos e faz-me olhar um espelho que se fragmenta a cada mentira que vivo, até que se parte em fragmentos luminosos de sonhos de quem outrora ousara sonhar... Desisto da vida, e deito-me levemente, com a esperança de adormecer e não mais acordar. As marcas dos estilhaços marcam-me a pele e a dor é a única companhia que me resta neste acordar para morte.
É nesta linha sem fim, que o tempo e o espaço se cruzam, e despedaçam-me ao obrigarem-me a assistir à paragem do meu coração.
Ele bate desesperadamente como se tivesse vontade própria, uma vontade que não me move mas que comove... O frio congela-me e as minhas mãos abraçam-me e envolvem-me...
Parece que sempre fui eu contra o mundo e agora é meu próprio mundo interior que me corrói... Ouço uma voz sussurrar ao meu ouvido, essa voz adormece-me e promete: não vais acordar... Essa voz embala-me como uma mãe embala o seu filho, essa é a voz que me leva a vida de uma forma tão bela.
A voz parece tão distante que apenas a consigo imaginar...
Essa voz murmura: fobia...

24 de março de 2012

As Sombras.

Descrevo aqui palavras minhas em sentimentos teus...
As palavras, aqui representam o medo face a um espelho turvo, o medo de olhar um rosto gémeo cuja expressão é triste e o olhar vazio...
Sei que te deixas levar pela escuridão, ela protege-te do mundo em troca de tão pouco,
apenas a luz pela sombra e a cada respiração ela envolve-te, sufoca-te parecendo que te abraça...
A razão de existir vai esmorecendo até que o teu mundo interior se torne a terra do nunca, onde és livre, ganhas asas negras e voas, nele perdes-te e nele encontras-te,
nele encenas uma peça de teatro negro onde marionetas dançam para ti e te fazem sorrir.
Sei que esse mundo mantém-nos vivos na ilusão, mas um dia acordamos e os fragmentos desse mundo perdem-se na realidade...
Na terra dos homens, somos imperfeitos e aqui as asas negras não voam mais...
Aqui, apenas os amigos nos abraçam e nos levam a sorrir, aqui os anjos são reais e no limiar do sofrimento são eles que nos mostram essa terra do nunca...
Em tempos, essa escuridão prendia-me e hoje ela reina comigo entre palavras e olhares pintados de negro, hoje ela faz parte de mim e agora eu divido-a contigo...
Hoje, essa escuridão é falada através de palavras, as palavras que te escrevo dizendo que não estás só, pois nessa escuridão existem outros como tu!
Imagina essa escuridão, como um quarto escuro onde uma luz se acende e aí poderás ver que não estás só, pois contigo estão todos aqueles cujos sonhos passam pela existência de uma luz artificial, uma luz negativa cujo nome sombra é dado.
A mesma sombra que nos une sob o nome de amizade...

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17 de março de 2012

A Vida.

Seis anos. Há seis longos e míseros anos atrás. Um menino, demasiado crescido para ser chamado criança, demasiado medroso para ser chamado adulto. Desde cedo que nada foi fácil. Família disfuncional, mente perturbada e sociedade doente. Esse menino cresceu rapidamente, até que, com um corpo pré-adolescente a sua personalidade estava desenvolvida. Era adulto.
    Foi nesse momento que percebi tudo. E foi nesse momento que pus uma máscara no rosto. Essa máscara deu lugar a uma mísera mascarilha, substituída depois por uma mais mísera ainda, maquilhagem. O rosto era meu. O sofrimento no meu olhar era meu. E por isso, não o queria partilhar com ninguém.
     O doce sabor agridoce da anorexia do ponto mais extremo instalou-se em mim. A dúvida do sentido da vida, que não tinha sentido para mim, degradou-me cada vez mais até que as feridas não cicatrizassem. A culpa começa a surgir em mim, sob forma de largos e amargos cortes profundos na pele e no coração. As lágrimas desciam pelo meu rosto em abundância como o dilúvio do cataclismo final, do apocalipse sentimental do meu ser: o rapaz anormal, a mente perturbada apenas não queria a vida. Ou apenas não a queria como todos a vivem.
   Foi isso que descobri pouco depois. Descobri a liberdade, a identidade. A identidade de quem derrama sangue sem ferida e chora sem cair. A identidade de quem faz sexo e não amor. A identidade de quem erra, de quem se suicida aos poucos, sentimento a sentimento. A dor fazia-me sentir vivo. Que felicidade alguma vez o tinha feito? Entreguei-me então àquela que durante tanto foi a minha companheira – querida e leal, solidão.
   Essa minha identidade não conhecia o valor da vida humana. “A vida humana tem valor?” Ainda hoje julgo que não. A vida não era mais que fortes rajadas de dor física. Os violentos actos de auto mutilação faziam o meu sangue formar rios imaginários até a força desaparecer e um desmaio compulsivo irromper a minha sanidade.
   Do mesmo modo que a vida não tinha valor também as pessoas não o tinham.
   O desgaste psicológico levou ao desgaste físico. E a uma mente livre de clichés. A hipocrisia social que faz as pessoas acreditar que a vida é feliz… afinal, não nascemos e morremos a derramar lágrimas? Penso que nas nossas pouco desenvolvidas mentes infantis, sabemos no fundo o que nos espera. Claro, depois esquecemos, vivemos com todas as mentiras que a sociedade nos impinge. Isso não aconteceu comigo. A vida, para mim, é efémera, sem valor.
   Sou liberto de mentiras. Por isso, não minto. Assumo o que sou, uma pessoa que mata se necessitar, que pensa que sexo não é amor, que deus é uma estratégia de medo e que os humanos não passam de super predadores dotados de uma ignorância incrível.
   Agora, sou um homem. A vida assim me obrigou e nada me derruba. A dor é esmagadoramente omnipresente que nem sequer dou por ela e a mágoa, essa admito que existe, não cedendo à felicidade fictícia que a sociedade me fez acreditar em tempos, que tanto culpa e revolta me causou.
    Acredito no além. Mas isso, tal como tudo não é uma realidade boa. Nem sequer é má. É apenas uma realidade. Sou livre. Sou livre de pensamento, livre espiritualmente. Duvido que muitos possam dizer o mesmo. 
   Sim, sou estranho. Diferente. O problema do mundo talvez seja esse mesmo. Existem poucas mentes estranhas. Tudo é moldado, ajustado conforme as necessidades e o correcto sobrepõe-se ao real.  
    Gosto de pensar que as máquinas não trazem peças sobresselentes. São fabricadas num número exacto para o que são necessárias. Então, se o mundo é uma grande máquina, eu sou necessário. Não existem peças sobresselentes. Limito-me a pensar que amanhã o dia nascerá novamente e terei novamente vinte e quatro horas. A minha companheira ficará comigo e, quem sabe, um dia sinta que sou uma peça sobresselente e o suicídio me leve. Julgo que esse dia está próximo, na realidade.
      A vida é uma miragem longamente infeliz, com pequenas intermitências de felicidade irreal. Mas eu já consigo ver o horizonte. Distante. 

 

6 de janeiro de 2012

Desabafo.


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Por vezes a solidão disfarça-se de amor, de conforto. Assim ela torna-se uma melhor amiga, um amor adolescente, puro e louco, um abismo de suicida. Ela, e só ela, faz-me temer a vida e, tal como um velho espírito sem forças, a morte. Faz-me temer a morte por aqueles que amo, não pelos que me amam. O egoísmo é outro dos sentimentos dominantes no meu íntimo. Muitas pessoas julgam-me melhor do que realmente sou; outras julgam-me bastante pior, criando uma imagem fictícia de mim. Nenhuma das duas é boa. Quero passar pelo que sou apenas e gostava que me julgassem apenas por isso, por o que sou.
Ouve muitas mudanças em mim. Agora, os sucessivos ataques de melancolia transformaram-se em falsos sorrisos, como uma armadura, como uma mascara. Tenho saudades do que fui e não serei mais.
Nos últimos tempos pensei bastante. Faço de conta que o barulho gritante do silêncio é a respiração da Terra, do todo, à qual eu faço parte. Dessa forma, sinto-me como se fizesse parte de algo. Dessa forma, nunca me sinto sozinho.

17 de dezembro de 2011

Desta vez, não!


- Desculpa, eu sei que errei.
- Segura neste copo.
- Sim?
- Manda-o ao chão.
- O quê? Estás doido?
- Não. Manda-o. Depois pede-lhe desculpa e vê se fica inteiro novamente.

Fui durante muito tempo cego, mas acabou. Chamei-te de melhor amigo. Mas hoje não passas de uma desilusão. 

13 de dezembro de 2011

Olhar Sombrio - Parte 1.


O dia era chuvoso, como que todos os anjos renegados chorassem pelo blasfémico pecado da indiferença. A cor do céu era semelhante às filas de sepulturas que estavam ali perante eles. Via-se uma fina camada de nevoeiro até a linha do horizonte, sem que um único vestígio de esperança se fizesse sentir perante o clima melancólico fortemente imposto pelos gritos agoniantes dos espíritos marcados pela revolta.
Saphira, tivera completado a maioridade no dia anterior, os seus dezassete anos. Possuía uma beleza inumana, pálida como a neve de Dezembro, um corpo esguio e perfeitamente moldado pelas curvas femininas demasiado belas para uma simples mortal. Os seus olhos eram de um azul tão inocente como o céu do paraíso, rodeados de uma carregada maquilhagem negra e os seus cabelos eram de um negro tão sombrio como breu, de um liso perfeito, acariciando-lhe o corpo até às ancas. A face estava agora com uma marca negra resultante de uma lágrima derramada. A sua beleza sobrenatural era completamente contrária aos seus sentimentos, esses de uma humanidade extrema, de uma tristeza sepulcral.
Trevor, vivia agora os seus confusos quinze anos. A ele, não era a beleza que o fazia destacar-se. Era a sua inteligência, o seu olhar expressivo. Um olhar que daria esperança, certamente, a qualquer alma com uma réstia de vida. Transmitia a beleza humana. A beleza do pensamento, do sentimento e da natureza. A beleza de um ser sofrido, um ser com sonhos, com esperança. O seu cabelo encaracolado de um castanho vivo, chegava-lhe aos ombros e o seu corpo era mediano. Não era sensual, apenas belo.
Os olhos inocentes de Saphira interceptaram-se com a esperança emanada pelo olhar de Trevor. Ambos eram sofridos, de maneiras diferentes, por razões distintas. Ela tinha o olhar de quem sonhava mudar a humanidade. Ele tinha no olhar uma esperança inequívoca de que a humanidade mudasse. Os seus olhares prenderam-se um ao outro de forma inexplicável. Era, para ambos, a primeira vez que o calor da compreensão lhes dançava na alma.
Nesse momento, o coração de Saphira acelera compulsivamente e o respirar de Trevor silencia-se como se o ruído da respiração ameaçasse arruinar aquele momento.    
Nesse instante, um ameaçador trovão quebra a escuridão instalada naquele jardim mortuário e a chuva começa a cair compulsivamente.  

16 de outubro de 2011

Claudius.



Os olhos não deixavam margem para dúvidas; os passos perdidos na melancolia também não. Claudius, não escolhia o caminho que percorria cegamente - as suas pernas é que, de alguma forma, eram conduzidas pela força do alcatrão rodoviário degradado.
Era noite, típico cliché para histórias dramáticas de indivíduos afogados numa pequena bacia de problemas (não necessariamente um mar deles). Não, isto era sério, tão sério que nem a dor latejante nos pés era capaz de chamar a sua atenção para a distância que já percorrera.
As várias picadas que levara não eram capazes de o matar na hora, mas aos poucos o veneno começou a apoderar-se da vida - não do corpo. Menos uma pessoa, mais uma pessoa nas nossas vidas. Que diferença assim tão grande poderia fazer, afinal?
Virou para uma pequena ruela, à direita, em tudo similar à que se afigurava no lado oposto. Perguntou-se porquê aquela, aleatoriamente, e as rodas mecânicas do raciocínio encaixaram na perfeição e começaram a rodar: também com as pessoas é o acaso que decide e a ilusão que nos mantém na rua escolhida. A ilusão é o apagar dos candeeiros da cidade, que torna todas as ruas turvas e escuras.
Podemos escolher a cor, a quantidade, o modo de administração e até a legalidade, mas no fim de contas, qualquer relação é uma droga - deixando-nos agarrados às veias do amor e do hábito, assim que o fornecimento acaba. Leva-nos ao fim, não necessariamente da nossa presença móvel na terra mas do nosso fim enquanto "eu" e "tu".
Se assim é, porque não escolhemos criteriosamente as pessoas que tanto nos moldam como se de plasticina fôssemos feitos?
Embargado pela conclusão, Claudius virou à direita após a grande avenida da cidade. Sem razão aparente.

Ali, aqui... Perto de mim.


Frases, aquele sentimento, este olhar.
Residias longe, rodeavas o ali e vieste acabar aqui. Foi um misto de histórias, de contra-tempos, de dificuldades e ilusões. Soavas baixo, não de maneira sobranceira mas apenas de igual modo. Essa voz que se entrelaçava em cada palavra que soava expedia compaixão e sofrimento, transformando miraculosamente pequenos gomos de palavras em verdades absolutas. Essas eram as tuas verdades, a tua carreira, a tua história, a tua eterna vida. Aprazível e agradável era a tua presença, esse teu jeito de encandear e de fazer com que te encadeassem, era tudo de louvar. Louvor esse que brotaria das efémeras redondezas e acabaria por pairar sobre o “aqui”.
Não sei ao certo o que ainda pretendes, mas eu já o sei...

15 de outubro de 2011

Lembranças.



Enquanto te vejo dormir, pergunto-me se será possível. O vento levou contigo os viajantes incómodos, áridos e poeirentos que faziam bater o meu coração. Ao mesmo tempo, como criança que desliza lentamente por trás de nós para nos assustar e corre quando está perto, assim me assolou a essência que teimava em escapar-se pelas minhas mãos soturnas e pouco esperançosas.
Não me resta outra solução que não fitar os teus lábios finos de banda desenhada, os teus olhos de doce lunática, os teus cabelos de revolto castanho, o teu corpo torpe e esguio. Faço-o como se o amanhã os despisse dos adjectivos e os deixasse apenas lábios, olhos, cabelo, ordinários e vulgares. Olho convencido de que a luz não vai nunca voltar a espreitar pela fresta da portada da janela e ranger mais uma vez um sonoro “bom dia”.
Mas vai. Há tanto para fazer lá fora… Fora de nós, num mundo sem pausa ou paragem possível. Felizmente, os momentos são efémeros, mas a memória é bastante poderosa. Por causa dela, aqui estou, sozinho e longe, a lembrar-me do quanto te amo.

1 de outubro de 2011

Desabafo.



Vou confessar que não está a ser fácil suportar tudo isto, toda esta pressão em que as pessoas me colocam. Por vezes, tenho vontade de fugir, de ir para um lugar escuro, onde só eu soubesse onde é, um lugar para eu ficar sozinho comigo e com os meus pensamentos. Quem me vê, acha que estou feliz, que nada está a acontecer comigo, mas isso é porque apenas me conhecem ali, só durante uma parte do dia, mas depois quando eu volto para casa, as tardes solitárias, as noites insuportáveis? Eles não sabem o que eu sinto. Tento resolver esse problema sozinho, mas parece que quanto mais eu o tento resolver mais problemas crio. Apareço sempre com um sorriso no rosto... Mas ninguém foi capaz de olhar no fundo dos meus olhos e ver o meu sofrimento. Sim, eu corto-me, eu arranho-me, mas essa é a única saída que eu encontro para escapar dessa dor que me contamina emocionalmente. Por mais que doa, que fique marcas, eu prefiro essa dor física, do que a dor sentimental. Pelo menos até ao derradeiro corte, até à última inspiração, até à última lágrima.

2 de setembro de 2011

O Passado e o Presente.



Deito-me para dormir. Mais uma noite em que o sono foge, como um sábio da ignorância. É tão difícil descansar ultimamente. Aquelas palavras atormentam a minha cabeça. A tristeza instalou-se de tal maneira no meu peito que desencadeia constantemente uma avassaladora inundação nos meus olhos. Em cada dia que passa fico mais sozinho. Estou cada vez mais a afastar-me do mundo. Mais que nunca, agora todos me olham como quem olha para um monstro abençoado pela maldição da diferença. Vejo defeito em tudo o que outrora fora motivo de um sincero e verdadeiro sorriso no meu rosto: a lua já não brilha tão intensamente, a comida perdeu o sabor, o pôr-do-sol já nada mais significa que um ritual rotineiro tal como tantos outros, os meus sonhos são agora pesadelos... Cada vez mais me torno num corpo sem alma, um corpo a quem cortaram os membros e uma alma à qual impossibilitaram de flutuar na imensidão do vazio. Acho até que esqueci como viver; agora só há lugar para uma sobrevivência sem ânimo, sem vontade e sem objectivos. O peito arde e queima. Sinto-me sufocado. Para mim a vida perdeu o sentido. 

22 de agosto de 2011

Perdido na Noite.

 

Sinto-me perdido na noite.

Transportado pelo vento sem direção.

Será Que Te Lembras?


Lembras-te da velha infância?
Em que andávamos a brincar, sorríamos sem parar, cantávamos e gritávamos mas, nunca chorávamos?
Lembras-te da inocência?
Em que não sabíamos o que era amor, que falávamos sem temor. Em tempos nela ficámos, sem qualquer tipo de planos, no inicio desse amor de largos anos.
Lembras-te de perder?
Em que perdemos a razão e todas as loucuras foram feitas por paixão, quando perdemos toda a nossa noção e sem querer perdemo-nos no amor.
Lembras-te do juramento?
Jurámos amar-nos para sempre, que ia durar eternamente.
E que em dentro de anos, amáramo-nos mesmo sem planos.
Lembras-te das velhas zangas?
Em que sempre nos magoava-mos por um simples dizer que não...
E com os nossos olhares que congelavam, sem percebermos chorávamos.
E isso destruía o meu coração.
Lembras-te dos mil perdões?
Que nos faziam de novo pensar que ainda era possível continuar a viver uma história errada. Que deveria de ser encerrada mas, que com apenas perdões foi recomeçada.
Lembras-te da fuga?
Em que fugiste sem explicar, onde levas-te contigo o meu coração, a minha emoção e a minha sanidade. Deparo-me então a fugir da realidade, uma realidade sem razão.
Lembras-te do teu regresso?
Que foi da mesma forma que havias saído como se nada tivesse acontecido.
Voltaste e trouxeste a minha vida, a minha esperança perdida de quem tem a história que não foi lida, a história que jamais deveria ser escrita.
Lembras-te do silêncio?
Em que já nem as palavras nos uniam, e o nosso olhar não se cruzara mais.
Não dava para viver assim, com este silêncio sem fim.
Lembras-te da reconciliação?
Em que o silêncio desmoronou-se, em que tudo voltou ao normal.
Mas com medo de o silêncio voltar, decidimos com a história acabar.
Lembras-te da verdade?
Em que me disseste que eu era um irmão, que esqueces-te a antiga paixão, que foi apagado o fogo do teu coração?
Ainda te lembras de mim?
Que vivi para te amar, para sempre um “amo-te” gritar.
Eu que disse que te amo com todo o meu coração.
E chegas-te simplesmente a mim, para dizer que esqueces-te essa paixão.
Lembras por acaso, do que é o amor?





I Don’t Care.

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21 de agosto de 2011

19 de Agosto.

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Quando me recordo de todos os momentos vividos contigo, das palavras lindas e sonhadoras que me disseras, dos olhares profundos e suaves, dos teus beijos quentes como a Primavera, dos teus abraços que me apoiavam tanto, dos teus sorrisos que iluminavam qualquer ser, cada vez que me lembrara de ti… Só de pensar que este fim podia ter acontecido de outra forma, só de pensar que te poderia ter conhecido bastante bem, só de pensar que já não te tenho e que já te tive provoca-me revolta e vergonha de mim mesmo. Com a água das fortes e poderosas tempestades, com a ventania que agora habita no meu passado e presente, com o céu carregado de nuvens cinza, eu pensara que tudo isto poderia passar, mas não! O certo é que não te consigo esquecer, por mais que tente, por mais que as lembranças me cheguem á alma e me devorem por completo,  eu não consigo
Quando um navio anda á deriva entre os mares profundos, perplexos e por mais que tente alcançar uma saída, por mais que lute não alcança tal efeito, é assim que eu me sinto.

Sinto-me perdido, fui fraco e não lutei pelo que devia lutar. Por ti!
Nas costas encostas da solidão, de costas voltadas para com o resto do mundo, sem força de viver… Se o tempo voltasse atrás, eu faria tanta coisa de maneira diferente, agia naturalmente e perdia todo o orgulho que abundava loucamente em mim.

Transformava-me por completo, já não confundira o mar com o sol nem os oceanos com o vento, simplesmente era eu. Toda aquela confiança que sentira por ti desde o primeiro dia, foi diminuindo mas quem sabe se eu teria razão para tal coisa? Eu amava-te desde o primeiro dia, eu sonhava contigo, dormia a pensar em ti, abria a janela em direção aos raios do sol e apoiava-me no parapeito apenas á espera da tua possível chegada. As melodias ajudavam-me a ter-te por perto como o sol do meio-dia a desabrochar entre as nuvens maciças de algodão. O chilrear dos passarinhos era como fossem sinais, sinais da tua chegada humilde e honesta vinda do ponto alto do mundo. Mas agora, tudo isto acabara. Não sei se acabara porque éramos realmente diferentes, porque os nossos grupos se cruzavam ou porque já não gostaras de mim… mas eu também existo, e preferia não existir. Agora há que aplicar o presente em todas as frases que escrevo, fazer com que o passado não se torne cada vez mais num sofrimento, se é que não se tornou já. Fico na esperança que tudo isto passe como uma brisa repentina e suave, pois tem mesmo de passar,  senão o que é viver assim?

16 de agosto de 2011

Desafio Musical.

1. Cantor preferido:

Gerard Way (My Chemical Romance)


2. Cantora preferida:

Hayley Williams (Paramore)


3. Banda Preferida:

Paramore.


4. Uma música que te marcou no passado e uma que te marca no presente:

Placebo - Pure Morning



Bring me the Horizon - Blessed With a Curse


5. Música da minha vida:

Paramore - My Heart


6. Uma música que te lembre um dia feliz e um dia triste:

My Chemical Romance - Na Na Na


Scary Kids Scaring Kids - Watch Me Bleed


7. Uma música que te enche de saudade:


Secondhand Serenade - Goodbye


8. Três estilos que adoras:
Punk rock, metal e scremo.


9. Três estilos que odeias:
Hip-hop, rap e pop.


10. O teu álbum preferido de sempre:

Desabafo.



Hoje finalmente encontrei-me na escuridão, conheci a melodia da penumbra e por momentos não me senti só. Vislumbrei a minha alma reflectida nos traços escondidos pelo vazio que me consome lentamente, a felicidade intrínseca na infeliz noite que me ilumina o ser e me relembra quem realmente sou.
Ecoa em mim a simples divagação do pensamento que gera incerteza, a dúvida que me assiste nos momentos envolvidos pela fantasia da perfeição que assombra os meus dias e torna a esperança o que ainda resta, a cinza de algo que ardeu e deixou de ter forma ou expressão, a sombra do dia radioso que deixou de existir para dar lugar à obscuridade.  Mas quem sou eu, o que encerro em mim que continua a ser aquilo que fui num tempo sem lugar nem pertença? Serei a minha própria sombra, ou serei a metamorfose das cicatrizes que marcaram o meu corpo e o meu espírito, tornando-me a testemunha do meu próprio passado?