É noite, aliás passam das cinco da manhã e ainda não dormi um minuto que seja... Sinto uma inquietação que não é natural, a minha respiração está ofegante, o meu fôlego por vezes falha e sou momentaneamente surpreendido por receios nocturnos que não consigo explicar.
Vasculho no meio dos meus pensamentos, numa tentativa, novamente falhada de tentar entender o motivo destas insónias noite após noite. O vento lá fora faz barulhos estranhos, estranhos para o tempo de pleno Verão que se faz sentir, e o barulho dos carros já desapareceu à bastante. Absorvido pela hospitalidade do meu quarto, estou agora em frente à minha secretária a escrever palavras banais como todas as outras escritas por mim, mas com certeza que têm o seu grau de importância, por mais pequeno que seja. O frio da madrugada penetra-se na minha alma e o gelo da solidão entra pela janela, fazendo-me sentir um forte arrepio seguido de uma agonizante dor no peito. Que falta que por vezes faz o calor de um sorriso e a presença de um ombro amigo... É horrível saber que temos quem nos queira bem, quem nos poderia abraçar, mas ironia da vida, neste momento não está aqui ninguém. O coração parou de bater por momentos, o fôlego cessou e uma lágrima quente escorreu por uma face triste... Estranho o que se passa comigo, apenas quero saber o motivo de todas estas crises de ansiedade sem explicação.Agora o coração voltou a bater fortemente e o fôlego retornou... Mas a noite parece mais fria do que antes.
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