14 de junho de 2011

Nada Voltará.

Lost_145226691_large

É incrível como as pessoas que por momentos moldaram um sorriso tão sentido no meu rosto, agora apenas me fazem derramar lágrimas sofridas.

11 de junho de 2011

Tempestade.


Naquela divisão, ele deitou-se, cerrou os olhos para não assistir ao desfile de ausências e às imagens que teimavam em embalar o seu sono. Nessa divisão às escuras, o silêncio deitou-se na cama ao seu lado e aconchegou-se ao seu peito, sussurrou-lhe que todas as horas eram iguais e que de todas as noites, esta era apenas mais uma. Mais uma noite igual a tantas outras.
Ao seu lado na janela o som da chuva nas vidraças gritavam como se estivessem a encenar os passos que ele queria ouvir. A chuva que em suaves murmúrios começou por anunciar a sua chegada. A respiração ofegante, o silêncio incauto e a chuva lá fora. Como se o mundo dos seus afectos pudesse ser menos árido para lá do vidro.
A mesma sucessão de pensamentos e de recordações em vagas múltiplas como os pingos de chuva que se desfaziam no vidro lá fora numa intensidade crescente... Prenúncio da tempestade de emoções ainda por vir. 
O desassossego, a inquietude e bátegas violentas. A tempestade instalara-se lá fora e no seu interior também. O ribombar dos trovões e a raiva acumulada faz com que ele grite com toda a alma do seu ser. Chuva e mais chuva ainda e o vento agora abriu a janela de par em par. A grande tempestade acabou de começar.

Hellothere_large

1 de junho de 2011

Eu.

Se com uma única palavra eu pudesse ouvir o silêncio de um nada, como se o vento vindo do imaginário decidisse gritar gentilmente mas só sentisse o frio ou a brutalidade da ausência de um toque que equiparado à silenciosa palavra cansa-me as cordas vocais por não conseguir dizer o que não ficou na história das mágoas que tocaram e que por vezes vêm em forma de visões intocáveis.
Mas está tudo bem, porque o que me faz continuar a flutuar é a estranheza daquilo que não se vê, mas sente-se, do que não se pode tocar, mas do que consigo sentir no ar.
É muito mais que tudo isto… é tudo, mas também o nada.
Sou eu.