2 de setembro de 2011

O Passado e o Presente.



Deito-me para dormir. Mais uma noite em que o sono foge, como um sábio da ignorância. É tão difícil descansar ultimamente. Aquelas palavras atormentam a minha cabeça. A tristeza instalou-se de tal maneira no meu peito que desencadeia constantemente uma avassaladora inundação nos meus olhos. Em cada dia que passa fico mais sozinho. Estou cada vez mais a afastar-me do mundo. Mais que nunca, agora todos me olham como quem olha para um monstro abençoado pela maldição da diferença. Vejo defeito em tudo o que outrora fora motivo de um sincero e verdadeiro sorriso no meu rosto: a lua já não brilha tão intensamente, a comida perdeu o sabor, o pôr-do-sol já nada mais significa que um ritual rotineiro tal como tantos outros, os meus sonhos são agora pesadelos... Cada vez mais me torno num corpo sem alma, um corpo a quem cortaram os membros e uma alma à qual impossibilitaram de flutuar na imensidão do vazio. Acho até que esqueci como viver; agora só há lugar para uma sobrevivência sem ânimo, sem vontade e sem objectivos. O peito arde e queima. Sinto-me sufocado. Para mim a vida perdeu o sentido.